Chegámos. Temos ambos vinte anos e as malas abertas em forma de despedida. Lembro-me hoje deles, da saudade que carregavam aos ombros mesmo antes de se fazerem um ao outro, de serem um temporal terreno. Vendi a alma, o último símbolo não fragmentado. E quando me olhas cheiras o meu silêncio, o meu vazio espelhado em cada artéria. Herdei-lhes o ressentimento. E depois aprendi a descrença, para que pudesse atenuar a dor, para que pudesse aprender qualquer habilidade. Aprendi a esculpir feridas sem precisar de tocar o chão. Sei que o ódio é mais antigo que o amor, talvez, por isso, sejam tão imperceptíveis as suas fronteiras.
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