
As casas onde crescemos cabem hoje todas elas na memória e sentimos uma imensidão de possibilidades, de gestos encruzilhando-se nas mãos. Como se uma criança ainda vagueasse por dentro do corpo, queremos ser heróis, desbravar cemitérios em flor e trazer diante todos o melhor e não o que conseguimos ser. Trata-se de honrar os sonhos que durante tenros e longos anos empilhámos sobre as álmofadas e não remendá-los com diletância, de dançar as valsa dos monstros, de percorrer estradas que não são caminhos, mas, por vezes, abismos. E existirá um piano no fundo da sala, soltando as feridas devagar para que ninguém nos ouça gritar.
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