
não se fabricam mais poemas
e afinal o que se faz por aqui
diz-me?
tu que tens sido o narrador
apenas por meio tempo
deste desfecho de anos
entreabriste-me as veias
e delas saíram palavras em lume
e agora consegues curar-me?
é que não se fabricam poemas
perdi a coragem de quebrar as frases
de levar os nomes à garganta
e quase os soprar
de tão frios
são leves e fáceis os meus pensamentos
tornei-os perceptíveis demais
para que também fossem teus
já não se fabricam poemas
perdi-lhe o jeito
eu sempre te disse que era a única coisa de que tinha medo
já não sei esperar
pela encruzilhada de linhas que se cravam no peito
o que escrevo é vazio
por ter demasiado tempo
mas não fazer dele leito
calma
já não se fabricam poemas
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