de todos os lugares do mundo há poucos a que se podem chamar lugares. de todas as pedras do mundo há poucas com que possamos dormir e senti-las absorver o bom e mau de nós. de todos os campos abertos em flor, em verde, em terra, são poucos os que nos queremos deitar a ver o céu, a sentir a altura das folhas. de todos os céus cinzentos são poucos aqueles em que desenhamos nuvens, ora elefantes, ora monstros, ora pessoas desmembradas de vida. de todos os dias de chuva serão poucos aqueles em que a rua estará deserta e nos será permitido pisar um charco com força, talvez saltar. de todas as músicas que soletram os dias, que os unem numa causalidade inteira, são poucas as que não depositam nos nossos olhos memórias aquáticas, vibrantes. de todo o tempo que semanticamente se tornou passado são poucos os dias que fugiram ao curso padrão das coisas. mas estes surgem na memória enaltecidos, imponentes na sua forma. de todas as vezes que a segregação hormonal nos ditar alguém para amar serão poucas aquelas que fingiremos convincentemente amar. e isso será recíproco, mesmo que não simultâneo. de todas as casas do mundo há poucas a que se podem chamar casas.
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