Vir aqui é testar o azar, mas eu não tenho feito outra coisa senão isso. posto isto cabe-me dizer que o desconhecimento é o que realmente nos apaixona nas pessoas.
porque hoje ele parte, sim ele parte definitivamente, e ironia das ironias, nada acontece, como já nada acontece há muito tempo, como na verdade nada aconteceu, ele foi apenas um meio de fuga, um meio de liberdade. eu fico no seu lugar, tomando-lhe os vícios e a desvirtude ora consciente ora efusiva. ele não era importante, ele não era assim tão corajoso, mas ele cabia-me dentro das palavras, parecia feito à sua medida, pois eu tinha-o criado para assim o ser. ele é humano, feito de luz, feito de timbre, feito de terra, supersticiosamente fraco, aquém do que podia ser como todos nós. e aplaudo-lhe a partida com uma saudade que não fere, que não sei porque existe, mas que penetra num canto da alma. ele mediu-me a coragem com pontas de facas, eu meço-lhe a desorientação à distância, o medo, o tédio, o desvibrar ténue do corpo. é ver um herói que nunca o foi destruir-se, é vê-lo levar uma parte da cidade e desejar que algum dia alguém a leve por inteiro. porque de coimbra espero apenas a latência de um sonho psicadélico, místico que nos dita a orientação, e como aves obedientes voamos em sete direcções inclusive a da queda.
(cheguei aqui com um manancial de histórias que lia convulsivamente na flor da idade, hoje sou essas histórias e perdi-lhe o sentido, perdi a astúcia, a ingenuidade ao perguntar - porque é que ela faz isso? - porque é o que justamente faço)
avassalador é pensar que furacões circulam dentro de ti ao ler tão doce e perturbador texto, ou melhor dizendo, qualquer coisa assim tão paradoxalmente bonita.
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