O frio faz-nos bem, cicatriza, desinfecta e quase cura. Mas a cura tem em si todo o mal. Depois de curados, estamos de novo prontos para furarmos a pele, e se não houvesse cura, e se fosse sempre frio. Um país onde só houvesse Inverno, onde o Outono fosse apenas o regresso a casa, sem abandonar o cais. Uma rosa na boca coberta de espinhos e o peito meio aberto caso a escuridão se enrodilhe na pele. A memória é um candelabro que nos decora as entranhas, não se morre de demência, mas de se dormir num leito demasiado quente ou virtuoso, como lhe queiram chamar.
(A infância foi-nos tirada a ferros mal abrimos a porta)
Não existissem monstros, e eu seria qualquer coisa ainda mais insignificante. Não existisses tu, e a tua escrita impossível e invejável, e eu mal podia existir.
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E que quer dizer isto senão solidão?
Vem ter aqui comigo para contarmos os monstros. Ou os príncipes, se quisermos o mais fácil...