sábado, 18 de setembro de 2010

No bairro do amor

No bairro do amor a vida é um carrossel
onde hã sempre lugar para mais alguém
o bairro do amor foi feito a lápis de cor
pra gente que sofreu por não ter ninguém

No bairro do amor o tempo morre devagar
num cachimbo a rodar de mão em mão
no bairro do amor hã quem pergunte a sorrir
será que ainda ca estamos no fim do Verão

Eh pá, deixa-me abrir contigo
desabafar contigo
falar-te da minha solidão
Ah, é bom sorrir um pouco
descontrair um pouco
eu sei que tu compreendes bem

No bairro do amor a vida corre sempre igual
de café em café, de bar em bar
no bairro do amor o sol parece maior
e hã ondas de ternura em cada olhar

O bairro do amor é uma zona marginal
onde não hã prisões nem hospitais
no bairro do amor cada um tem de tratar
das suas nódoas negras sentimentais

Os copos são da fundura do corpo e tudo o que queremos é amar de todas as maneiras, partindo das que não o são. a memória eleva-se a uma ténue perda de sentido, dissolvemos todas as feridas apenas numa, o acaso. queremos que a cidade nos desterre a alma, nos torne invencíceis à dor, prematuramente vazios, velozes. apertamos o passado, o futuro e resiste-nos apenas o medo nos braços. o medo que nos acostumámos a disfarçar correndo nas ruas, gritando sangue e bebendo sombra. imperceptívelmente, a cidade alveja-nos, torna os erros opacos e as vitórias vás. um dia talvez descubramos que a cidade é um deus passivo, que nos converte, que nos amarra, que nos diz para aonde devemos ir, mas que não o faz por nós, mas para que a lembremos

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