sexta-feira, 29 de julho de 2011

Entropia






Uma recompensa pelo teu corpo na leve ignorância de o achares perdido, as palavras como uma religião perante um copo silenciado. Vejo-te raramente como um Mundo Novo, a incoincidência nasce nos meus antiquissímos pulsos, uma terra a afirmar-se - Aqui seria a nossa terra, donde arrancaríamos as espessas teorias, os lençóis em afluência quase nus ou vertiginosos. Acabei por me conceber argonauta, palmo a palmo o movimento e o dia, a paciência, um terceiro homem de costas equilibrando a pedra e a idade. O equilíbrio fudamental e a chuva alta prometendo telegramas, heróis empunhando sangue alheio. Sabia que quando te escrevesse todas as alas do meu sonho já não seriam frenéticas, a pobreza coroou a efervescência das folhas brancas, e com isto apenas entende como o mar pode sobrar sobre uma alma que nunca realmente embarcou. Não morras de esperança ausente - É o que diz aquele homem sofrêgo, aquele ali, atravessando o porão dez vezes, em dias em que as águas se fazem ângulos largos. Os anjos existem loucamente em declives longos é a minha face inteira que o profere, que o repete, deixando a tempestade entrar. O centro de todos os delírios lentos que já ousei escrever é um cabo, indício de aço e de tempo, no lugar que une todo o teu peito. Habito um movimento impossível, um vocábulo rumando a um quarto quadrante, onde moras há um cavalo rodopiando a tua boca. Em construção o aparato ilegível de um novo sol, sirvo-me das arestas, da fome e da potência das estrelas até à sua oficial inauguração. Se fizesse uso do mapa existiríamos recomeçando inférteis um novo desterro. Supérfula e intacta entropia, outra luta descrevendo os sentidos, o tacto das aves como ondas venosas. Onde quer que rume deduzirei outra escrita, o fogo, a terra e o corpo agora eternos, agora doentes. Eis o último vento que a língua canta, a desordem que sopraria com minúcia dentro dos olhos, procurando um horizonte milimétrico, a cura como descendência secreta. Para que não creias num poético retorno, libertarei agora o sempre por ter-se feito inútil - Eis o que não poderá mais ser retornado - alguém o gritou.


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