domingo, 3 de julho de 2011
às vezes, parece que a distância doi e quando chegamos percebemos que não há formas de voltar apenas de partir. o tempo é unidireccional, os caminhos que traçamos fecham-se assim que os atravessamos, e por mais que emaranhemos as noites em planos, em tentativas de resolução, afastásmo-nos de mais de nós próprios. fomos até onde não devíamos ter ido, desbravámos as nossas entranhas, provámos os outros sem dosear o toque, o timbre, a saudade. não há arrependimento que doa mais do que o sabermos de que somos feitos, o conhecermos a previsibilidade dos outros. desfizeram-se as poções, os presságios, a vida é um quarto escancarado, arejado, uma biblía sem profetas, sem dons. desaprendemos a fé, o amor nunca deixou de ser uma comédia vespertina, a arte rendeu-se, a alma flagelou-se num tal fatalismo mulçumano. os romances embalsemados na boca, ora se faz tarde ora se faz desassossego. quais túmulos egipcios, quais últimos guerreiros, qual pó enfabulado de toda uma vida, quais mitos desterrados de glória, de sonho. heroicamente, aqui jaz alguém que nunca se fará homem, nem sangue, nem colher. obviamente a terra escavada ficou aquém do quão fundo se alojou o peito já cristalizado em mármore. vi o relógio voltar ao começo do círculo, e sei apenas que tenho de terminar de desfazer o corpo, para facilitar o apodrecimento, para apressar a inércia fundametal da natureza
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