quarta-feira, 25 de agosto de 2010

do vulgar


a bailarina desceu da sua pequena caixa de música e pé ante pé, seguiu o ritmo de um rosto baço, subui ao paladar soberbo de uma mão fria. esqueceu a direcção dos olhos, os passos certos e breves, o sorriso firme. já não é capaz de regressar ao seu mágico esconderijo. o corpo é refém de uma vontade que não é sua mas necessária. a bailarina perdeu todos os movimentos um por um, a inocência foi o último. e a sua dança é continuada e vazia, procurando apenas o esquecimento. no fundo da sala ouve-se um piano e há uma sepultura de desejos. um passo em frente, dois passos chão a dentro, a bailarina agora tem nome e um silêncio sujo na garganta

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